Ferramenta de design - Parte 01
Uma passada pelas minhas vivências de computação gráfica nessas duas últimas décadas
Eu sou um designer já nascido para a profissão em tempos de ferramentas digitais. Eu não passei pelos processos manuais, e comecei a carreira fechando meus arquivos atrás de um computador.
Foi assim…
Em 2001 eu fiz um cursinho livre de “webdesign”, onde aprendi HTML e mais três softwares: Macromedia Dreamweaver, Macromedia Fireworks e Macromedia Flash.
Com esse conhecimento, ainda muito superficial, eu fiz um primeiro site, que não sei se durou muito no ar, e que era bem ruim. Mas começava ali a minha jornada.
Eu confesso que gostava desses softwares, à época com recursos muito interessantes e possíveis de rodar no meu computador AMD K6-2 500, claro, em versão “alternativa”, já que eu não tinha condições de comprar as licenças. Aliás, essa não era uma exclusividade minha, e era comum, inclusive, em agências de publicidade e escritórios de design de menor porte.
Voltando aos softwares, a Macromedia era mais utilizada pela turma do webdesign, principalmente o Flash, que servia para fazer animações em banners e outros elementos das interfaces. Além do design vetorial e animação de gráficos e images, ele proporcionava a maximização dos seus recursos por meio de uma linguagem de programação chamada Action Script.

O Fireworks já tinha recursos para prototipação de websites, criação de múltiplas páginas, funcionava bem com vetores e tinha bons recursos para tratamento de imagens, além de simplificar a transição de arquivos para o Flash e para o Dreamweaver.
Já o Dreamweaver era concorrente de outro software daquela época, o Microsoft FrontPage. Ambos tinham a “revolucionária interface” WYSIWYG (whats you see is what you get), que permitia que designers desenvolvessem seus websites sem a necessidade de codificar, clicando e arrastando elementos, digitando e pintando espaços com uso de ferramentas.
Mas eles também permitiam que o código fosse desenvolvido “na mão”, e a janela visual apresentava o resultado. Eu acho que os programadores nunca gostaram muito desses softwares, mas isso não é assunto meu. :)
A Macromedia ainda tinha um software de vetores e layout chamado Freehand, com o qual eu tive contato pouquíssimas vezes. Me lembro de fazer um projeto para a faculdade com ele, outras poucas coisas, mas nada mais complexo e aprofundado do que isso.

O tal do Corel…
O Corel Draw era, com certeza, o mais popular dos softwares na minha época, pelo menos na minha cidade. Todo mundo que trabalhava com design (naquela época pouca gente era formada em design), principalmente o pessoal que atuava em empresa de comunicação visual, estamparias, pequenas agências de publicidade, empresas de brindes, usava o Corel Draw. O fato de ele ser fácil de aprender e de piratear facilitava com que fosse acessível.

De tão popular, o “Draw”, software para vetores da empresa Corel, passou a ser chamado só de Corel, já que os demais softwares da companhia não faziam tanto sucesso, como o Corel PhotoPaint, para edição de imagens e o Corel Ventura, para diagramação. O PhotoPaint eu tentei usar algumas vezes, mas por curiosidade, e o Ventura eu nunca tive oportunidade.

Sempre polêmico, o Corel angariava amor e ódio entre os profissionais, mas, certamente, foi a ferramenta ponto de partida de toda uma geração.

O PhotoPaint não se firmava, pelo menos na minha época e no meu contexto geográfico, porque o Adobe Photoshop já era uma febre.
Continua na parte 02, em breve …




Várias memórias voltaram lendo esse texto! Tô ansioso pra parte 2 já! Espero que a primeira temporada tenha uns 10 episódios 😃